Conceito

Obra de Candido Portinari serviu como inspiração para a criação da marca Manchester

Painel “As Quatro Estações” localizado na na fachada do Edifício Clube Juiz de Fora na Avenida Rio Branco.

O painel “As Quatro Estações”, datado e assinado em 1956, mede 4,48m de altura por 7,95m de largura e, junto com outros 11 painéis em azulejos, integram um dos mais expressivos acervos a céu aberto do Brasil. Produzido por Candido Portinari, com colaboração de José Moraes e Paulo Fonseca (especialistas em mosaicos), e executado pela empresa Osiarte, de São Paulo, foi instalado naquele ano na fachada do Edifício Clube Juiz de Fora, construção modernista projetado pelo arquiteto Francisco Bolonha, após ser encomendado pela Associação Civil Clube Juiz de Fora. Na época a proposta era integrar arquitetura e artes plásticas, típica filosofia do período.

Todos estes painéis de Portinari são de azulejos brancos com pintura em tons de azul, fazendo referência à tradição portuguesa sendo inclusive, este tom específico, batizado por Roberto Osir de “azul Portinari”. Candido Portinari criava os esboços a lápis, preparava as maquetes em tamanho reduzido com todas as características dos painéis e encaminhava para Paulo Roberto Osir, proprietário da Osirarte, que realizava, em sua fábrica artesanal, a pintura nos azulejos em tamanho original e providenciava o cozimento.

A obra apresenta uma dinâmica na sua composição, pois as formas abstratas e curvilíneas se transpassam, criando movimento. O azul e o branco fazem um jogo de “negativo e positivo”, onde a cor mais escura leva o olhar a percorrer a totalidade da superfície, o que podemos decifrar como a mudança das estações. Na fachada lateral, Portinari criou ainda o mosaico em pastilha cerâmica intitulado “Cavalo”, que forma um conjunto de pequenos murais, cada um medindo 0,96 cm de altura por 1,63 metro, sintetizando o vai-e-vem das pessoas em uma das principais ruas da cidade.

As duas obras podem ser consideradas como marco do período modernista não só na cidade, mas em todo país. Além do painel “As Quatro Estações”, segundo o Instituto Portinari, existem outros 11 painéis em azulejos em azul e branco distribuídos por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Petrópolis, além de um na França.

Quem foi Candido Portinari?

Candido Portinari (1903-1962) foi um pintor brasileiro, um dos principais nomes do Modernismo. Suas obras alcançaram fama internacional, entre elas, o painel Guerra e Paz, na sede da ONU em Nova Iorque, e a série Emigrantes, do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Reconhecido mundialmente, recebeu diversos prêmios e participou de inúmeras exposições. Além da pintura, Portinari também se dedicou à ilustração, gravura e à docência, sendo professor de artes plásticas.

À esquerda, autorretrato de Portinari. À direita, retrato fotográfico do pintor

Candido Torquato Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903 em uma fazenda de café, na cidade de Brodowski, interior de São Paulo. Filho de italianos, Portinari veio de uma família humilde e era o segundo filho de doze irmãos. Mesmo com formação escolar apenas até o ensino primário, ele participou da elite intelectual brasileira da década de 1930. Portinari deixou São Paulo aos 15 anos e fixou residência no Rio de Janeiro, onde se matricula na “Escola Nacional de Belas Artes”. Aos 20 anos, Candido já é prestigiado pela crítica nacional. Contudo, será em 1928, quando conquistou o “Prêmio de Viagem ao Estrangeiro” da Exposição Geral de Belas-Artes, que Portinari ganhará o mundo.

Morou em Paris e outras cidades europeias, onde conheceu artistas como Van Dongen e Othon Friesz, além de Maria Martinelli, uruguaia com quem se casou e viveu toda a vida. Regressou ao Brasil em 1931 e nessa época passou a valorizar mais as cores em seus trabalhos, abandonando os conceitos de volume e tridimensionalidade.

O comprometimento com o histórico-cultural de Juiz de Fora, fez com que o clube trouxesse como referência o Painel “As Quatro Estações”, de Candido Portinari.
Desenvolvimento da marca e escudo do clube

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